domingo, 7 de abril de 2013

A verdade sobre as mentiras nossas de cada dia


Há poucas coisas nesse mundo tão danosas quanto uma mentira. Sabe o que é engraçado? Somos programados, desde cedo, a achar a mentira uma coisa feia e errada, mas somos incentivados a todo momento a contá-las. Ou você, criança, nunca recebeu a ordem de dizer que gostou de um presente e agradecer, mesmo quando sua vontade é dizer "que merda" e jogar o boneco do Giban longe, quando tudo que você queria era um Power Ranger que morfava? Em pouco tempo, vem o peso do pecado. Cada falso testemunho como uma assinatura antecipada de uma vida de bronzeado ardente em um mármore desagradável ao lado do Zé Capeta. Um pouco mais de remorso em cada "nunca mais eu bebo", que, sabemos, não se concretiza nunca...

A questão da mentira é que ela é sedutora. A danada anda com os vestidinhos mais curtos sempre a deixar um cheiro doce em nossa face, oferecendo o caminho mais curto e fácil para tudo. Ela bate ponto, junto com você, ao adentrar cada área de sua vida, diariamente. No trabalho: "foi o trânsito!". Na escola: "esqueci o caderno, mas o trabalho está pronto!". Com a namorada: "essa roupa não te deixa gorda". Com a esposa: "estou sem dinheiro, amor". Na casa da sogra: "O molho irlandês acabou, mas posso ir comprar lá na zona norte, rapidinho, depois volto".

domingo, 20 de janeiro de 2013

Se as pessoas um dia soubessem...

Se as pessoas um dia soubessem quão bem faz ouvir um "bom dia" quando se acredita ser invisível, acredito que começariam a entender o que a expressão significa. Não é cordialidade ou pura educação, mas um desejo sincero de que você espera que tudo dê certo na vida de alguém até o momento em que ela deita a cabeça no travesseiro. Abrir a porta para uma mulher, ou mesmo um homem mais velho, não te tira pedaço e ainda pode te render sorrisos. Frutos de uma surpresa consequente de uma brutalização idiota de nossos modos. Pedir desculpas ou licença não dói, não ofende, nem tira honra.

domingo, 6 de janeiro de 2013

E quando conhecer alguém te deixa, assim, besta?

Ela olhou pra mim de repente. Entre um repente e outro. Ao ensaiar um passinho desajeitado. Sorria com olhos, sobrancelhas e testa, como deve ser. O suor pingando pelo canto do pescoço justificava os cabelos molhados que eram constantemente sacudidos em direção aos fracos ventiladores. Perguntas despretensiosas. Nome, trabalho, músicas... Tudo menos a idade. Idade só se pergunta em dúvida explícita sobre a maioridade das sambistas de enredos silenciosos, de letras e shows quaisquer.

A conduzida para a dança é a chance de sentir o perfume, encostar o rosto, sentir o peito à risada inesperada. Conto uma história constrangedora sobre mim e arranco-lhe sorrisos. Talvez essa seja a forma mais agradável da mulher sentir-se desejada. Quando há esforços para fazê-la sentir-se bem e interessante o suficiente para não ser apenas um alvo de tesão momentâneo. Mulher boa é a que se ofende em uma chegada puramente objetiva, que se deixa objetificar.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Paciência sobrando? Eu compro!

Grande Austeróbilo*,

Eu não sou paciente porque sou gordo. E nem tento ser. Gosto de tudo apressado, atropelado, emocionante! Não consigo me conter. Isso tem muito a ver com a velha ansiedade, inimiga do gordo. Solução para um dia estressante de trabalho? Cervejinha com calabresa e fritas. Depressão? Sorvete com brigadeiro caseiro. Comemoração? Feijoada com picanha mal passada. Fantasia sexual? Leite condensado e vela quente. Sei que é outra história, mas é calórico, juro!

Impaciência está na moda. Acaba sendo até útil para várias coisas, especialmente quando o telemarketing liga:

“Bom dia, senhor. Eu estou tentando estar entrando em contato com o senhor para falar das maravilhas do...”
“Quanto custa?”
“Mas o senhor tem que saber das incríveis vantagens que...”
“Quanto?” “Por apenas R$59,90, eu...”
“Tá. Gostei do preço... O que é?”
“É uma ótima assina...”
“Quero não. Obrigado. Bom dia... Tun tun tun”
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